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26/10/2026

As 10 maiores facções criminosas do Brasil: quem são, onde atuam e por que preocupam as empresas

Conheça as 10 maiores facções criminosas do Brasil em 2026, onde atuam e por que PCC e CV preocupam empresas. Dados da Senappen, PF e FBSP.

maiores facções criminosas do Brasil: mapa de facções por região, com destaque para o Nordeste e a Bahia
Facções criminosas mapeadas no sistema prisional, por região (2022–2024). Fonte: Senappen/MJ. Arte: Folha da Segurança

O Brasil tem hoje quase uma centena de organizações criminosas em atividade, mas poucas têm alcance para mudar o mapa da violência e da economia de um estado inteiro. Neste levantamento, a Folha da Segurança reúne as maiores facções criminosas do Brasil em 2026: de onde vieram, onde atuam e o que cada uma representa para quem precisa proteger pessoas, instalações e cadeias logísticas.

O tema saiu das páginas policiais e entrou na pauta corporativa. Em 2026, os Estados Unidos passaram a tratar as duas maiores facções do país como organizações terroristas, e operações da Receita Federal mostraram o crime organizado operando postos de combustível, fundos de investimento e fintechs. Para gestores de risco, entender quem é quem deixou de ser curiosidade.

Em resumo

  • 88 facções estão em atividade no país, segundo a Senappen — 46 delas no Nordeste.
  • Só PCC e Comando Vermelho operam em escala nacional e internacional, com presença em 25 UFs e no DF.
  • Desde 5 de junho de 2026, os EUA classificam PCC e CV como organizações terroristas, o que eleva o risco de compliance para empresas.
  • Operações recentes expuseram a infiltração do crime em combustíveis, fintechs e na cadeia petroquímica.

Quantas facções criminosas existem no Brasil?

Um mapeamento da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), do Ministério da Justiça, identificou 88 facções em atividade entre 2022 e 2024, distribuídas em 1.760 pavilhões prisionais. O Nordeste lidera, com 46 grupos — 21 deles somente na Bahia, o estado com maior diversidade de organizações. Na sequência vêm o Sul (24), o Sudeste (18), o Norte (14) e o Centro-Oeste (10).

facções criminosas no Brasil por região, segundo a Senappen
Facções criminosas mapeadas no sistema prisional, por região. Fonte: Senappen/Ministério da Justiça

O mesmo estudo classifica o alcance desses grupos: 72 atuam em nível local, 14 têm abrangência regional e apenas duas operam em escala nacional e internacional — o PCC e o Comando Vermelho, que, segundo o Metrópoles, já registram atuação em 25 unidades da Federação e no Distrito Federal.

O efeito chega ao cotidiano. Pesquisa Datafolha encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostrou que 41,2% dos brasileiros com 16 anos ou mais percebem a presença de grupos criminosos no próprio bairro — o equivalente a cerca de 68,7 milhões de pessoas. Nas capitais, o índice passa de 55%.

As 10 maiores facções criminosas do Brasil em 2026

Critério: não existe um censo oficial de integrantes por facção. A ordem das maiores facções criminosas do Brasil apresentada abaixo é editorial e considera o alcance territorial (nacional, regional ou estadual) e o peso de cada grupo nas investigações e nos indicadores de violência recentes.

1. Primeiro Comando da Capital (PCC)

Nascido no sistema prisional paulista no início dos anos 1990, o PCC é considerado a maior facção do país e a mais sofisticada do ponto de vista financeiro. Controla rotas internacionais de cocaína e, segundo as operações Carbono Oculto e Fluxo Oculto, infiltrou-se no setor de combustíveis e no mercado financeiro. Em 5 de junho de 2026, passou a constar, ao lado do CV, da lista de organizações terroristas estrangeiras dos EUA.

2. Comando Vermelho (CV)

Fundado no Rio de Janeiro no fim dos anos 1970, o CV é a facção mais antiga em atividade e a principal rival do PCC. Nos últimos anos, expandiu-se para o Norte e o Nordeste por meio de alianças e incorporações: na Bahia, por exemplo, absorveu a estrutura do antigo Comando da Paz. No Ceará, disputa territórios com a GDE.

3. Terceiro Comando Puro (TCP)

Surgido em 2002 no Complexo da Maré, no Rio, a partir de uma dissidência do antigo Terceiro Comando, o TCP é hoje a terceira força nacional. Rival direto do CV, vem levando sua marca a outros estados por meio de alianças — no fim de 2025, aliou-se à GDE no Ceará, e também aparece entre os grupos com atuação na Bahia.

4. Bonde do Maluco (BDM)

Criado em 2015 no Complexo Penitenciário da Mata Escura, em Salvador, como braço externo da extinta Caveira, o BDM tornou-se a maior facção baiana. Levantamento do Correio aponta presença do grupo em 13 de 19 cidades mapeadas no estado. Aliado do PCC, trava com o CV a disputa que mais impulsiona a violência na Bahia e já tenta avançar sobre o eixo Petrolina–Juazeiro.

5. Guardiões do Estado (GDE)

Facção cearense formada por dissidentes do PCC, a GDE chegou a ser o grupo mais numeroso do Ceará. Após perder áreas importantes de Fortaleza para o CV, buscou fôlego na aliança com o TCP, o que levou a disputa para o interior do estado, segundo o Ministério Público do Ceará.

6. Sindicato do Crime (SDC)

Principal facção do Rio Grande do Norte, o Sindicato do Crime nasceu do rompimento com o PCC, com quem mantém rivalidade aberta. A disputa entre os dois grupos está por trás de crises no sistema prisional potiguar e de ondas de ataques nas ruas do estado.

7. Os Manos

Originada da antiga Falange Gaúcha, Os Manos é a facção mais tradicional do Rio Grande do Sul — um caso raro de estado onde PCC e CV não criaram raízes. O grupo usa o tráfico como principal fonte de receita e diversifica investimentos para lavar dinheiro.

8. Bala na Cara

Também gaúcha, a Bala na Cara surgiu nas ruas de Porto Alegre como braço executor ligado à Falange e ganhou autonomia. Disputa territórios com Os Manos e mantém alianças para a compra de drogas vindas do Paraguai.

9. Comando Classe A (CCA)

Facção paraense que ganhou projeção nacional em 2019, com o massacre no presídio de Altamira, onde 62 presos morreram em confronto com o CV. O episódio expôs como a disputa entre grupos locais e nacionais se espalhou pela Amazônia — região onde, segundo o FBSP, facções já estão presentes em 344 dos 772 municípios.

10. Katiara

Grupo baiano em ascensão, a Katiara aparece entre as facções emergentes do crime organizado no estado, ocupando espaços deixados por grupos extintos e se movendo dentro do jogo de alianças entre BDM, CV e TCP. Entra na lista como sinal de um padrão: a fragmentação das facções regionais segue gerando novos atores.

Juntas, as maiores facções criminosas do Brasil formam uma rede de alianças e rivalidades que muda rapidamente: grupos regionais se fundem, rompem ou trocam de lado conforme a disputa entre PCC e CV avança sobre novos territórios. Por isso, qualquer avaliação de risco baseada nesse cenário precisa ser revisada com frequência.

Por que as maiores facções criminosas do Brasil preocupam as empresas

facções criminosas infiltradas na economia formal: postos de combustível, fintechs e cadeia petroquímica
Como a cadeia dos combustíveis foi capturada, segundo as operações Carbono Oculto e Fluxo Oculto. Arte: Folha da Segurança

As facções deixaram de ser um problema restrito à segurança pública. Levantamento da Polícia Federal mostra que 88% das mais de duas mil prisões feitas pela corporação desde 2022 envolveram integrantes de PCC ou CV, e mais da metade dos presos atuava em mais de um estado. Para o setor privado, três frentes merecem atenção imediata.

Combustíveis, fintechs e a cadeia petroquímica

A Operação Carbono Oculto, de agosto de 2025, apontou que uma rede ligada ao PCC movimentou R$ 52 bilhões em mais de mil postos de combustíveis entre 2020 e 2024, com uso de fundos de investimento e fintechs como bancos paralelos. A segunda fase, a Fluxo Oculto, de maio de 2026, mirou seis fintechs que teriam movimentado mais de R$ 26 bilhões e um esquema de adulteração de combustíveis com nafta petroquímica desviada de empresas do setor químico. Ou seja: indústrias, distribuidoras e transportadoras podem estar na ponta de uma cadeia capturada sem saber.

Sanções dos EUA e risco de compliance

Com a designação de PCC e CV como organizações terroristas pelo Departamento de Estado dos EUA, empresas, fornecedores e parceiros com vínculo — ainda que indireto — com esses grupos podem ficar expostos a sanções sempre que houver ligação com o sistema financeiro ou a jurisdição americana. A diligência sobre terceiros (KYC e due diligence de fornecedores) passa a ser também uma questão de segurança.

Logística, portos e roubo de carga

As facções usam o Brasil como plataforma logística para o tráfico internacional, o que coloca portos, rodovias e centros de distribuição no centro do risco. Esse movimento já foi analisado pela Folha em segurança portuária, nas rotas internacionais do tráfico e no transporte de cargas. Para quem toma decisões de localização e rotas, vale cruzar esses dados com o ranking das cidades mais violentas do Brasil e o Mapa da Segurança Pública 2026 para Empresas. O avanço tecnológico desses grupos também é tema da nossa análise sobre crime organizado e inteligência artificial.

Para gestores de segurança e de riscos, acompanhar a movimentação das maiores facções criminosas do Brasil deixou de ser tarefa apenas das forças policiais. O mapeamento passa a orientar decisões de localização, contratação de fornecedores, escolha de rotas e proteção de ativos.

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Perguntas frequentes sobre as maiores facções criminosas do Brasil

Qual é a maior facção criminosa do Brasil?

O Primeiro Comando da Capital (PCC) é considerado a maior facção do país, tanto pelo alcance nacional e internacional quanto pela estrutura financeira revelada em operações recentes. O Comando Vermelho vem em seguida.

Quantas facções criminosas existem no Brasil?

A Senappen identificou 88 facções em atividade no sistema prisional entre 2022 e 2024. Apenas duas — PCC e CV — operam em escala nacional e internacional; 14 têm alcance regional e 72 atuam localmente.

PCC e Comando Vermelho são considerados organizações terroristas?

Pelos Estados Unidos, sim: a designação entrou em vigor em 5 de junho de 2026. O governo brasileiro não adota essa classificação e entende que as facções têm objetivos essencialmente econômicos, sem a motivação ideológica que caracteriza o terrorismo. O debate segue no Congresso, como mostramos na cobertura da PEC da Segurança e sobre crime organizado e terrorismo.

Qual estado tem mais facções criminosas?

A Bahia, com 21 grupos mapeados pela Senappen. O Nordeste, como região, concentra 46 das 88 facções identificadas no país.

Fontes

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