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01/11/2026

Votação da PEC da Segurança Pública: os 7 pontos que o Senado decide nesta terça (3/11)

Votação da PEC da Segurança Pública no Senado é nesta terça (3/11). Veja os 7 pontos em jogo, o impasse da maioridade penal e o que muda para empresas.

Votação da PEC da Segurança Pública: os 7 pontos que o Senado decide nesta terça (3/11)

A votação da PEC da Segurança Pública está marcada para esta terça-feira, 3 de novembro, no Plenário do Senado. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre, agendou a ordem do dia para as 16h, depois de a análise ter sido suspensa em meados de outubro por divergências sobre a maioridade penal.

A proposta, identificada como PEC 18/2025, foi enviada pelo Poder Executivo e reorganiza o sistema de segurança pública do país. Ela redistribui competências entre União, estados e municípios, endurece o tratamento a facções e milícias e cria regras para polícias municipais. Para gestores de segurança, é a mudança constitucional mais relevante do setor em décadas.

Abaixo, a Folha da Segurança explica como funciona a votação, os sete pontos principais do texto, o que ainda está em disputa e o que isso significa para empresas.

Neste artigo
  1. Votação da PEC da Segurança Pública: quando, como e o que precisa para passar
  2. Os 7 pontos da PEC da Segurança Pública em votação
  3. O impasse da maioridade penal e as emendas de Plenário
  4. O que a votação da PEC da Segurança Pública muda para empresas
  5. Depois da votação: os próximos passos
  6. Perguntas frequentes sobre a votação da PEC da Segurança Pública
  7. Fontes

Votação da PEC da Segurança Pública: quando, como e o que precisa para passar

A PEC foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em 14 de outubro. No mesmo dia, o Plenário aprovou um requerimento de calendário especial (RQS 713/2026). Esse calendário dispensa as cinco sessões de discussão exigidas antes do primeiro turno e as três antes do segundo, o que permite votar tudo em menos tempo.

Por ser uma emenda à Constituição, o texto precisa de dois turnos de votação, com pelo menos 49 dos 81 senadores a favor em cada um.

ItemSituação
PropostaPEC 18/2025, de iniciativa do Poder Executivo
RelatorSenador Rogério Carvalho (PT-SE)
CCJAprovada em 14/10/2026; 4 das 81 emendas acatadas
PlenárioTerça, 3/11/2026, a partir das 16h
Quórum49 votos favoráveis em cada um dos dois turnos
Emendas de Plenário5 até 30/10, sendo 2 sobre maioridade penal

Os 7 pontos da PEC da Segurança Pública em votação

1. O Susp entra na Constituição

O Sistema Único de Segurança Pública (Susp) passa a ter status constitucional. O texto cria mecanismos de cooperação entre os entes federativos, como forças-tarefa conjuntas, compartilhamento de informações e provas e integração de sistemas. Na prática, a União ganha papel mais forte na definição de diretrizes nacionais.

2. Regime penal mais duro para facções e milícias

A PEC insere no artigo 5º da Constituição um regime penal proporcional à posição hierárquica de líderes e integrantes de facções, organizações paramilitares e milícias. Entre as medidas previstas estão:

  • prisão obrigatória em presídio de segurança máxima;
  • restrição à progressão de regime e a benefícios processuais;
  • possibilidade de confisco, sem indenização, de bens ligados à atividade criminosa;
  • responsabilização de pessoas jurídicas envolvidas;
  • proteção a denunciantes e seus familiares.

Esse eixo dialoga diretamente com o avanço das organizações criminosas mapeado pela Folha em as 10 maiores facções do Brasil.

3. Polícias municipais

Os municípios poderão criar polícias municipais civis, voltadas ao policiamento ostensivo e comunitário. Elas ficam sujeitas a controle externo do Ministério Público e a critérios de acreditação, capacidade financeira e formação padronizada. O texto proíbe que guarda municipal e polícia municipal coexistam na mesma cidade com atribuições sobrepostas.

4. PRF em ferrovias e hidrovias federais

A Polícia Rodoviária Federal passa a policiar também ferrovias e hidrovias federais, além das rodovias. A Polícia Federal tem atribuições ampliadas em crimes de repercussão interestadual ou internacional.

5. Sistema de Políticas Penais

A proposta institui o Sistema de Políticas Penais e reforça o papel das polícias penais na custódia e disciplina de presos, na distribuição de detentos por critérios técnicos e na operação de tecnologias de segurança nos presídios.

6. Fundos protegidos contra cortes

Os recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP), do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) e do Funapol, da Polícia Federal, ficam protegidos contra bloqueio, contingenciamento ou remanejamento, salvo frustração de receita. O relator manteve a destinação de 10% do superávit do Fundo Soberano do Pré-Sal para a área e retirou o artigo que direcionava recursos das apostas esportivas (bets).

7. Direitos da vítima e limites ao CNJ e ao CNMP

Dois novos incisos garantem à vítima o direito à proteção, informação, assistência, acesso à justiça e participação no processo penal, com atenção especial às mulheres. O texto também dá ao Congresso o poder de sustar atos do CNJ e do CNMP que extrapolem o poder regulamentar em temas de segurança pública e direito penal.

O impasse da maioridade penal e as emendas de Plenário

A maioridade penal é o ponto que travou a votação em outubro. Até sexta-feira (30/10), duas das cinco emendas de Plenário tratavam do tema:

  • Senador Camilo Santana (PT-CE): redução de 18 para 16 anos nos casos de crimes hediondos.
  • Senador Rogério Marinho (PL-RN): redução para 16 anos como regra geral e para 14 anos em crimes hediondos, tortura, tráfico de drogas e terrorismo.

As outras três emendas tratam de outros temas:

  • Senador Carlos Portinho (PL-RJ): destinar recursos do FNSP às Forças Armadas, para defesa civil, crimes transfronteiriços e ambientais e operações de garantia da lei e da ordem.
  • Senador Eduardo Gomes (PL-TO): incluir agentes de trânsito entre os órgãos de segurança pública, com patrulhamento viário.
  • Senador Eduardo Gomes (PL-TO): incluir os órgãos do sistema socioeducativo entre os órgãos de segurança pública.

A Folha detalhou as propostas sobre o tema em redução da maioridade penal: o que muda com a PEC.

O que a votação da PEC da Segurança Pública muda para empresas

A PEC trata de órgãos públicos, mas os efeitos chegam ao setor privado. A análise da Folha aponta quatro frentes para gestores de segurança corporativa, que complementam o impacto já mapeado no setor privado:

  • Compliance e due diligence: a responsabilização de pessoas jurídicas e o confisco de bens ligados ao crime elevam o risco de manter contratos com fornecedores ou parceiros associados a facções. Revisar a checagem de terceiros (KYC) passa a ser prioridade.
  • Novo interlocutor local: onde forem criadas polícias municipais, a segurança patrimonial ganha mais um ator para protocolos de acionamento, rondas no entorno e planos de contingência.
  • Logística: a atuação da PRF em ferrovias e hidrovias federais muda o mapa de apoio para operações de carga multimodal.
  • Integração público-privada: o compartilhamento de informações previsto no Susp tende a abrir espaço para canais formais com a segurança privada, já regulada pelo Estatuto da Segurança Privada e o Decreto 13.012/2026.

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Depois da votação: os próximos passos

Se aprovada nos dois turnos no Senado, a PEC não vai a sanção, porque emendas constitucionais são promulgadas pelo Congresso. Como o relator alterou o texto que veio da Câmara, a proposta deve voltar aos deputados para análise das mudanças antes da promulgação.

O governo trata a PEC como prioridade de fim de ano e já afirmou que pretende criar o Ministério da Segurança Pública depois da aprovação.

A Folha da Segurança vai atualizar este artigo com o resultado da votação.

Perguntas frequentes sobre a votação da PEC da Segurança Pública

Quando é a votação da PEC da Segurança Pública?

Na terça-feira, 3 de novembro de 2026, no Plenário do Senado, com ordem do dia marcada para as 16h.

Quantos votos a PEC da Segurança precisa no Senado?

Pelo menos 49 dos 81 senadores, em cada um dos dois turnos de votação.

A PEC da Segurança Pública reduz a maioridade penal?

O texto aprovado na CCJ não reduz. Há duas emendas de Plenário com essa proposta, uma para 16 anos em crimes hediondos e outra para 16 anos como regra geral e 14 em crimes graves. Elas só entram no texto se forem aprovadas pelo Plenário.

O que é a polícia municipal prevista na PEC?

Uma polícia civil criada pelo município para policiamento ostensivo e comunitário, com controle externo do Ministério Público e regras de acreditação e formação. Ela não pode coexistir com uma guarda municipal de atribuições sobrepostas.

Fontes

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