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31/10/2026

As 10 cidades mais violentas da Bahia em 2026: ranking completo do Anuário

Eunápolis lidera com 85,1 mortes por 100 mil habitantes. Veja o ranking das cidades mais violentas da Bahia segundo o Anuário 2026 e o que ele significa para empresas.

cidades mais violentas da Bahia em 2026
Viatura da Polícia Militar da Bahia em patrulhamento. Foto: Ixocactus/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

As cidades mais violentas da Bahia voltaram ao centro do mapa da violência no Brasil. Segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), cinco das dez cidades com as maiores taxas de mortes violentas do país em 2025 são baianas. Eunápolis, no extremo sul do estado, lidera o ranking estadual e ocupa o segundo lugar nacional.

O dado importa agora por dois motivos. Primeiro, porque a violência caiu no Brasil e também na Bahia, mas em ritmo que não tirou o estado do topo. Segundo, porque as cidades da lista estão sobre rodovias federais, portos e polos industriais, o que coloca o tema diretamente na mesa de quem administra operações, frotas e patrimônio no estado.

Neste artigo
  1. Cidades mais violentas da Bahia: o retrato do Anuário 2026
  2. Ranking: as 10 cidades mais violentas da Bahia em 2026
  3. Cidade por cidade: o que explica a violência em cada uma
  4. Por que a Bahia concentra metade do ranking nacional
  5. Rodovias, portos e facções: o corredor da violência na Bahia
  6. O que o ranking das cidades mais violentas da Bahia significa para empresas
  7. Perguntas frequentes sobre as cidades mais violentas da Bahia
  8. Fontes

Cidades mais violentas da Bahia: o retrato do Anuário 2026

A Bahia registrou 5.473 Mortes Violentas Intencionais (MVI) em 2025, uma taxa de 36,8 por 100 mil habitantes. Foram 574 vítimas a menos que em 2024, quando houve 6.047 mortes, uma queda de cerca de 9,5%, segundo o recorte baiano do Anuário publicado pelo Jornal Grande Bahia. Mesmo com a redução, o estado tem a segunda maior taxa do país, atrás apenas do Amapá (42,5), e lidera em números absolutos: concentra cerca de 13% de todas as mortes violentas do Brasil.

Para comparação, a taxa nacional ficou em 19,1 por 100 mil, a menor desde o início da série histórica, em 2012. Ou seja, a taxa baiana é quase o dobro da brasileira e também supera a média do Nordeste, de 31,6.

A categoria MVI soma homicídios dolosos, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenção policial. Na Bahia, essas últimas foram 1.570 em 2025, cerca de 29% do total estadual, de acordo com o Correio. É um peso que ajuda a explicar a posição de várias cidades do ranking.

Ranking: as 10 cidades mais violentas da Bahia em 2026

O critério é a taxa de MVI por 100 mil habitantes, considerando apenas municípios com 100 mil moradores ou mais, a mesma régua usada pelo FBSP. A taxa permite comparar cidades de tamanhos diferentes.

Posição na BahiaMunicípioTaxa de MVI por 100 mil (2025)Posição no Brasil
1ºEunápolis85,12º
2ºPorto Seguro71,24º
3ºSimões Filho68,15º
4ºJequié67,46º
5ºJuazeiro55,810º
6ºCamaçari*52,2—
7ºTeixeira de Freitas*49,4—
8ºLuís Eduardo Magalhães*44,8—
9ºFeira de Santana*44,2—
10ºSalvador*44,0—
Fonte: 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública (FBSP); *taxas estimadas pelo Jornal Grande Bahia com dados da SSP-BA e do IBGE.

*O Anuário publica o ranking nacional, mas não uma lista por estado. As posições 1 a 5 são as taxas oficiais do FBSP. As posições 6 a 10 vêm de apuração complementar do Jornal Grande Bahia com registros da Secretaria da Segurança Pública da Bahia e estimativas populacionais do IBGE, e podem variar em décimos em relação aos microdados finais.

infográfico com o ranking das cidades mais violentas da Bahia por taxa de mortes violentas
Infográfico: Folha da Segurança, com dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública e do Jornal Grande Bahia.

Todas as dez cidades estão acima da média nacional. As cinco primeiras superam com folga também a média baiana. E a lista não é só de cidades médias do interior: inclui a capital, o maior centro regional do estado e um dos principais polos industriais do Nordeste.

Cidade por cidade: o que explica a violência em cada uma

1º Eunápolis — 85,1 por 100 mil

Eunápolis é o caso mais chamativo da edição. Com cerca de 120 mil habitantes, a cidade não aparecia nem entre as 20 mais violentas do país no ranking anterior e saltou para o segundo lugar nacional, com taxa mais de quatro vezes a brasileira. O município tem ainda a segunda maior taxa de mortes por intervenção policial do país (29,7 por 100 mil): das 130 mortes violentas registradas em 2025, 45% foram cometidas por policiais, segundo a Agência Pública. O Anuário associa o salto a disputas entre grupos criminosos pelo controle do tráfico, conforme a CNN Brasil.

2º Porto Seguro — 71,2 por 100 mil

Vizinha de Eunápolis e um dos principais destinos turísticos do país, Porto Seguro tem a quarta maior taxa de MVI do Brasil e a maior taxa municipal de mortes por intervenção policial: 32,3 por 100 mil habitantes, de acordo com o Correio. As duas cidades da Costa do Descobrimento formam hoje o principal foco de violência letal do estado.

3º Simões Filho — 68,1 por 100 mil

Na Região Metropolitana de Salvador, Simões Filho aparece pela segunda edição seguida no top 10 nacional (era a 7ª no Anuário anterior, com 71,4). Cerca de 28% das mortes violentas no município foram causadas por policiais, com taxa de 19,1 por 100 mil, segundo a Agência Pública. A cidade abriga o Centro Industrial de Aratu e fica ao lado do porto de mesmo nome.

4º Jequié — 67,4 por 100 mil

Jequié, no sudoeste baiano, é presença constante nos rankings: foi a segunda mais violenta do país no Anuário anterior, com 77,6, de acordo com o Bahia Notícias. A taxa caiu, mas a cidade segue entre as seis mais violentas do Brasil e também tem alta letalidade policial, de 18,9 por 100 mil.

5º Juazeiro — 55,8 por 100 mil

No norte do estado, na divisa com Pernambuco, Juazeiro fecha o grupo de cidades baianas no top 10 nacional. A taxa recuou em relação ao ano anterior, quando era a terceira do país com 76,2, mas a cidade permanece bem acima das médias estadual e nacional.

6º a 10º — Camaçari, Teixeira de Freitas, Luís Eduardo Magalhães, Feira de Santana e Salvador

O segundo bloco mostra a dispersão da violência pelo território. Camaçari e Feira de Santana estavam no top 10 nacional na edição anterior e saíram dele, mas seguem com taxas acima de 44 por 100 mil. Teixeira de Freitas reforça o peso do extremo sul. Luís Eduardo Magalhães, no oeste do agronegócio, entra no radar com taxa de 44,8. E Salvador, com 44,0, completa a lista; para o recorte da capital, veja os bairros mais violentos de Salvador.

Vale um registro: balanços parciais de 2026 divulgados pela SSP-BA apontam novas quedas em cidades como Camaçari, Salvador, Jequié e Feira de Santana, conforme A Tarde. Os números consolidados de 2026, porém, só aparecerão na próxima edição do Anuário.

Por que a Bahia concentra metade do ranking nacional

A Bahia já tinha cinco cidades no top 10 nacional no Anuário anterior, mas a composição mudou: saíram Camaçari e Feira de Santana e entraram Eunápolis e Porto Seguro. O movimento indica deslocamento da violência para o extremo sul, e não sua redução. Em todo o país, as dez cidades mais violentas estão no Nordeste, como mostramos no ranking das 10 cidades mais violentas do Brasil em 2026.

Três fatores aparecem com frequência nas análises do FBSP e da imprensa especializada: a disputa entre facções por mercados ilegais e rotas, a interiorização dessas disputas para cidades médias e o peso da letalidade policial, que na Bahia responde por quase um quarto de todas as mortes por intervenção policial do país. Para entender quem são os grupos em disputa, veja as 10 maiores facções criminosas do Brasil. A comparação com outras unidades da federação está em capitais e estados mais violentos do Brasil, e o recorte da letalidade policial, em polícias mais letais do Brasil por cidade.

Rodovias, portos e facções: o corredor da violência na Bahia

O dado com mais valor para o gestor de segurança está na geografia. Eunápolis é cortada pela BR-101 e pela BR-367, que liga a cidade a Porto Seguro. Simões Filho fica às margens da BR-324 e da BA-093, junto ao Porto de Aratu. Jequié é atravessada pelas BR-116 e BR-330. A coincidência é tratada como hipótese analítica, ligada à disputa por corredores logísticos, e não como causa isolada, conforme a análise do Jornal Grande Bahia.

Na prática, as rotas que levam carga, insumos e produtos acabados pela Bahia são as mesmas onde a violência letal se concentra. Isso vale para a BR-101 no sul, para a BR-116 no centro-sul e para o eixo da BR-324 entre Salvador, Simões Filho e Feira de Santana, com acesso ao Polo de Camaçari.

O que o ranking das cidades mais violentas da Bahia significa para empresas

Para quem opera no estado, o ranking é um insumo direto de análise de risco. Os pontos de atenção estão abaixo; a classificação de cada cidade por nível de risco, os corredores de roubo de carga e o checklist completo estão no RELINT Premium: risco para empresas na Bahia.

  • Rotas e frotas: planejar janelas de trânsito, paradas e pernoites considerando os trechos da BR-101, BR-116 e BR-324 próximos às cidades da lista. O aumento de roubos de carga noturnos reforça a cautela fora do horário comercial.
  • Polos industriais: Camaçari, Simões Filho (CIA/Aratu) e Feira de Santana reúnem plantas e centros logísticos. Vale revisar perímetro, controle de acesso, iluminação e protocolos de deslocamento de colaboradores em turnos noturnos.
  • Turismo e eventos: em Porto Seguro e região, hotéis e organizadores de eventos devem integrar a segurança privada às forças locais e preparar planos para a alta temporada.
  • Escolha de novos sites: a taxa de MVI é um dos critérios para instalar unidades. Compare com a nossa matriz de cidades mais seguras para empresas.
  • Pessoas: colaboradores que moram nas cidades da lista enfrentam riscos no trajeto casa-trabalho. Programas de orientação e transporte fretado em horários críticos ajudam a reduzir a exposição.

RELINT Premium · Bahia: a matriz de risco das 10 cidades (crítico, alto e elevado), os corredores de roubo de carga na BR-101, BR-116 e BR-324, recomendações por perfil de operação (indústria, logística, varejo, turismo e agronegócio), um checklist de 15 ações e os indicadores para monitorar todo mês. Acesse o RELINT Premium: risco para empresas na Bahia →

Para o mapa de quem atua em cada estado, veja também o RELINT Premium: facções criminosas por estado e o risco para empresas.

Perguntas frequentes sobre as cidades mais violentas da Bahia

Qual é a cidade mais violenta da Bahia em 2026?

Eunápolis, no extremo sul, com 85,1 mortes violentas por 100 mil habitantes em 2025, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. É também a segunda mais violenta do Brasil, atrás de Maranguape (CE).

Quantas cidades baianas estão entre as mais violentas do Brasil?

Cinco das dez: Eunápolis (2ª), Porto Seguro (4ª), Simões Filho (5ª), Jequié (6ª) e Juazeiro (10ª), considerando municípios com 100 mil habitantes ou mais.

Salvador está entre as cidades mais violentas da Bahia?

Sim. Pela apuração complementar com dados da SSP-BA, a capital tem taxa estimada de 44,0 por 100 mil e fecha o top 10 estadual. Fica fora do top 10 nacional.

Qual é a taxa de mortes violentas da Bahia?

36,8 por 100 mil habitantes em 2025, a segunda maior do país, atrás do Amapá (42,5). O estado registrou 5.473 mortes violentas, 574 a menos que em 2024, queda de cerca de 9,5%.

Como o ranking é calculado?

Pela taxa de Mortes Violentas Intencionais (homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e morte por intervenção policial) por 100 mil habitantes, apenas em municípios com 100 mil moradores ou mais.

Veja todos os rankings do portal no hub Rankings de Segurança. Na próxima semana, a série Raio-X da Violência nos Estados chega ao Ceará.

Fontes

Foto de capa: viatura da Polícia Militar da Bahia. Crédito: Ixocactus/Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 4.0.

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