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12/10/2026

Cidades mais seguras do Brasil: as 20 menos violentas em 2026, segundo o Atlas da Violência

Cidades mais seguras do Brasil em 2026: capa com ranking do Atlas da Violência

As cidades mais seguras do Brasil estão todas no Sul e no Sudeste, e nenhuma delas é capital. É o que mostra o Atlas da Violência 2026, estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgado em 26 de maio. O levantamento compara os municípios com mais de 100 mil habitantes e aponta Jaraguá do Sul (SC) como a cidade menos violenta do país, com 2 homicídios por 100 mil habitantes em 2024.

O outro extremo do ranking já foi tema na Folha da Segurança, em 10 Cidades Mais Violentas do Brasil em 2026. Aqui, olhamos para quem está no topo da segurança: quais são as 20 cidades, o que elas têm em comum e o que gestores de risco e empresas podem tirar desses números, e o que eles não dizem.

Ranking das cidades mais seguras do Brasil em 2026

A tabela traz as 20 cidades com as menores taxas de homicídios estimados por 100 mil habitantes, entre os municípios com mais de 100 mil moradores. Os dados se referem a 2024, último ano consolidado pelo Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde.

Pos.CidadeUFTaxa*População
1ºJaraguá do SulSC2,0195.753
2ºBrusqueSC2,6151.949
3ºSanta Bárbara d’OesteSP3,2189.338
4ºLavrasMG3,6109.884
5ºBragança PaulistaSP3,8184.634
6ºItatibaSP4,0126.403
7ºBiriguiSP4,1122.988
8ºItuiutabaMG4,7106.397
9ºAtibaiaSP4,8166.043
10ºVotuporangaSP5,0100.159
11ºTubarãoSC5,2115.495
12ºIndaiatubaSP5,6267.796
13ºSaltoSP5,7140.125
14ºBlumenauSC5,8380.597
15ºSão José dos CamposSP5,9724.756
16ºAraraquaraSP6,3252.318
17ºArapongasPR6,5123.863
18ºMaríliaSP6,5246.627
19ºMogi das CruzesSP6,6468.120
20ºCotiaSP6,6287.004

* Homicídios estimados por 100 mil habitantes (registrados + estimativa de homicídios ocultos). Fonte: Atlas da Violência 2026 (Ipea/FBSP), dados de 2024.

Como o Atlas da Violência mede as cidades mais seguras do Brasil

O Atlas não usa apenas os homicídios registrados. Nos últimos anos cresceu o número de mortes violentas por causa indeterminada, óbitos em que não se sabe se houve agressão, acidente ou suicídio. Para não subestimar a violência, os pesquisadores aplicam um modelo de aprendizado de máquina que analisa características da vítima e do óbito e reclassifica parte dessas mortes como homicídios ocultos. A taxa final do ranking soma os homicídios registrados com essa estimativa.

Na prática, isso significa que uma cidade só aparece entre as mais seguras se tiver poucos homicídios e também poucas mortes sem causa esclarecida, o que torna o ranking mais difícil de “maquiar”.

O que as cidades mais seguras do Brasil têm em comum

Interior paulista e catarinense dominam a lista

São Paulo tem 13 das 20 cidades do ranking, Santa Catarina tem 4, Minas Gerais tem 2 e o Paraná tem 1. Arapongas, na região de Londrina, é a única representante paranaense. Não há nenhuma capital: a maior cidade da lista é São José dos Campos (SP), com cerca de 725 mil habitantes e taxa de 5,9.

Cidades médias, muitas com perfil industrial

Quase todas as cidades do ranking têm entre 100 mil e 400 mil habitantes, e várias são polos industriais ou logísticos, como Jaraguá do Sul, sede da WEG, Blumenau e Brusque, no Vale do Itajaí, e Indaiatuba e Salto, no eixo Campinas–Sorocaba. Ser cidade média, porém, não garante segurança: segundo o Atlas, os municípios entre 100 mil e 500 mil habitantes têm, em média, a maior taxa de homicídios do país (24,1 por 100 mil), acima das grandes cidades (23,2) e das pequenas (19,7). O porte, sozinho, não explica o resultado.

O próprio Atlas não detalha os motivos de cada município. O estudo registra apenas que Sul e Sudeste, onde estão todas as 20 cidades, costumam ter indicadores socioeconômicos e de segurança mais favoráveis.

Uma distância de 13 vezes

A média das 20 cidades mais seguras é de 4,9 homicídios por 100 mil habitantes. A das 20 mais violentas, lideradas por Maranguape (CE), é de 64,7. Segundo o Atlas, essa diferença de cerca de 13 vezes equivale à distância entre as taxas do Brasil e da Europa. Em outras palavras, há dois países convivendo no mesmo mapa.

Ranking das 20 cidades mais seguras do Brasil com taxa de homicídios por 100 mil habitantes
Fonte: Atlas da Violência 2026 (Ipea/FBSP). Dados de 2024.

Estados mais seguros do Brasil

Pelos homicídios registrados oficialmente em 2024, São Paulo teve a menor taxa entre as 27 unidades da federação (6,6 por 100 mil), seguido por Santa Catarina (8,1), Distrito Federal (10,3), Minas Gerais (12,8) e Rio Grande do Sul (15,2).

Quando se incluem os homicídios ocultos, a ordem muda: Santa Catarina passa a ser o estado menos violento (8,8) e o Distrito Federal fica em segundo (10,9), à frente de São Paulo. A troca mostra por que olhar só o dado oficial pode distorcer a comparação entre estados.

Para o lado oposto do mapa, veja Capitais e estados mais violentos do Brasil: o que mostra o Anuário 2026.

Brasil tem a menor taxa de homicídios da série, com uma ressalva

O país registrou 42.590 homicídios em 2024, o menor patamar de violência letal da série histórica do Atlas, iniciada em 1998. Mas as mortes violentas por causa indeterminada cresceram 23,8% no mesmo período. Considerando a estimativa de homicídios ocultos, a queda real da letalidade entre 2023 e 2024 teria sido de apenas 0,4%.

Para quem trabalha com análise de risco, a mensagem é clara: a melhora existe, mas é menor do que os números oficiais sugerem.

Cidades mais seguras do Brasil: 5 lições para empresas

Rankings como este são usados por empresas na escolha de onde instalar fábricas, centros de distribuição e escritórios, e por profissionais que avaliam uma mudança de cidade. Antes de usá-los, vale considerar cinco pontos.

  1. Homicídio baixo não é crime patrimonial baixo. O Atlas mede violência letal. Roubos, furtos, invasões e fraudes seguem outra lógica. Antes de decidir, cruze o ranking com dados de crimes contra o patrimônio do Anuário Brasileiro de Segurança Pública e das secretarias estaduais.
  2. Os dados têm dois anos de defasagem. O ranking reflete 2024. Para decisões em 2026, consulte também os painéis estaduais, que publicam números mensais.
  3. Cidade segura ainda exige segurança patrimonial. São Paulo é o estado com mais cidades no ranking e, mesmo assim, uma família foi mantida refém por 11 horas em um condomínio de alto padrão em Santana de Parnaíba (SP), caso noticiado em outubro. Veja como a quadrilha estudou os muros antes do crime.
  4. Olhe para o entorno, não só para o município. Cidades seguras podem ficar perto de áreas mais violentas, e rotas logísticas atravessam regiões diferentes. A análise de risco deve incluir trajetos, vizinhança e acessos.
  5. Transforme indicadores em plano. Dados públicos são o ponto de partida de uma análise de riscos, não o fim. O Mapa da Segurança Pública 2026 para Empresas reúne 30 indicadores para esse trabalho, e o artigo 5 Desafios de Segurança Patrimonial para Empresas mostra como aplicá-los no dia a dia.

Perguntas frequentes sobre as cidades mais seguras do Brasil

Qual é a cidade mais segura do Brasil em 2026?

Segundo o Atlas da Violência 2026, é Jaraguá do Sul (SC), com 2 homicídios estimados por 100 mil habitantes em 2024, entre as cidades com mais de 100 mil habitantes. Brusque (SC) e Santa Bárbara d’Oeste (SP) completam o pódio.

Qual estado tem mais cidades entre as mais seguras do Brasil?

São Paulo, com 13 das 20 cidades do ranking. Santa Catarina vem em seguida, com 4.

Alguma capital está entre as cidades mais seguras do Brasil?

Não. Todas as 20 cidades são do interior ou de regiões metropolitanas. A maior delas é São José dos Campos (SP).

Qual a diferença entre o Atlas da Violência e o Anuário de Segurança Pública?

O Atlas usa dados de saúde (registros de óbito do SIM) e estima homicídios ocultos; a edição de 2026 traz dados de 2024. O Anuário usa registros policiais das secretarias estaduais; a edição de 2026 traz dados de 2025. Por isso os rankings das duas publicações podem não coincidir.

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Fontes: Atlas da Violência 2026 — Ipea/FBSP; Repositório do Ipea.

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