Cultura de seguros no Brasil: Catástrofes vizinhas, como Terremoto na Venezuela, e extremos climáticos ligam alerta
Especialistas da Alper Seguros apontam que, além das perdas com o clima, reflexos de abalos sísmicos no Norte expõem a falta de preparação do mercado corporativo e imobiliário nacional
Confira também:
- Para entender mais sobre a regulação do setor e dados de mercado, acesse o portal da SUSEP (Superintendência de Seguros Privados).
- Leia mais em nosso portal:Análises do Mercado de Seguros Corporativos na Folha da Segurança.
São Paulo, julho de 2026 – O recente terremoto de magnitude devastadora na Venezuela, cujos reflexos ecoaram fortemente no Norte do Brasil — provocando pânico e a evacuação de edifícios em capitais como Manaus, Belém e Macapá —, acendeu um duplo alerta sobre a vulnerabilidade econômica e a falta de preparação da região para lidar com sinistros complexos. Este cenário reforça o debate urgente sobre a cultura de seguros no Brasil. Com prejuízos estimados em mais de US$ 10 bilhões na Venezuela (cerca de 10% do PIB do país), a tragédia evidencia um desafio comum a toda a América Latina: a baixa penetração de seguros. No Brasil, o avanço em frequência e severidade de eventos climáticos extremos, somado aos reflexos de abalos vizinhos, coloca o empresariado e o mercado imobiliário diante de riscos severos e, muitas vezes, subestimados.
Embora o risco de danos estruturais graves por sismos seja baixo no território brasileiro, o susto vivido no Norte do país revelou lacunas na blindagem patrimonial de empresas e condomínios. Historicamente, apólices acessórias para tremores de terra ou lucros cessantes decorrentes de evacuações de emergência são praticamente inexistentes na região.

“O mercado imobiliário e corporativo em geral não está preparado para situações como esta, por não haver histórico de eventos com esse perfil. Dessa forma, não temos demanda para esse tipo de perda no Norte”, explica Luciano Lima, SVP de Filiais, Massificados e Personal Lines da Alper Seguros.
“Infelizmente, o brasileiro ainda vê essas situações como distantes da sua realidade, o que faz com que grandes episódios não se reflitam em um aumento expressivo na procura por proteção. A cultura do seguro vem crescendo, mas ainda está longe dos níveis de países desenvolvidos. Precisamos conscientizar a sociedade sobre a necessidade de proteção e desenhar produtos específicos para perfis e realidades regionais.”
A falsa percepção de proteção corporativa e a cultura de seguros no Brasil
Se por um lado o mercado corporativo das grandes capitais brasileiras demonstra maior maturidade na contratação de apólices patrimoniais básicas, especialistas alertam que existe uma diferença crucial entre possuir um seguro e estar efetivamente protegido contra desastres de grande magnitude. O erro mais frequente das organizações reside em focar apenas na perda física do ativo, ignorando o impacto em cascata que uma enchente, vendaval ou evacuação causa na linha de produção e na cadeia de suprimentos.
“A principal vulnerabilidade hoje não está na falta de seguro, mas na falsa percepção de proteção que a falta de entendimento traz. Muitas empresas acreditam estar devidamente cobertas porque possuem uma apólice patrimonial comum, quando, na prática, sua maior exposição está na interrupção da operação e na perda de capacidade de gerar caixa”, afirma Fábio Ursaia, Sr VP da Alper Seguros. “O seguro não evita a catástrofe, mas evita que ela se transforme em uma crise econômica prolongada. Empresas não costumam quebrar porque perderam um prédio. Elas quebram porque perderam a capacidade de gerar receita.”
Gestão de riscos, sobrevivência financeira e a evolução da cultura de seguros no Brasil
Diante de um cenário onde o “improvável” e o “imprevisto” se tornam frequentes de Norte a Sul do país — alternando entre secas históricas na Amazônia e enchentes devastadoras no Sul —, o seguro deixou de ser encarado pelas diretorias financeiras como um custo burocrático para se consolidar como uma ferramenta indispensável de resiliência e sobrevivência empresarial.
Para responder a cenários de acumulação de riscos (como o fenômeno da ‘sequência dupla’ de tremores visto na Venezuela, que pulverizou estruturas já abaladas), as consultorias de seguros assumem um papel altamente estratégico. O foco atual do mercado migrou da simples negociação de preços de apólices para uma análise profunda e preventiva do ecossistema de cada cliente.
“O papel da consultoria mudou profundamente. Antes, a principal discussão era quanto custava uma apólice. Hoje, a pergunta mais relevante para um CFO é quanto custa interromper uma operação por semanas ou meses”, pontua Fábio Ursaia. “As apólices para grandes riscos são capazes de responder a cenários complexos, mas a diferença entre uma boa e uma má proteção quase sempre é definida antes do sinistro acontecer, na qualidade da estrutura desenhada.”
Para mitigar essas lacunas, a Alper Seguros tem intensificado a atuação de suas filiais pelo país, utilizando inteligência de dados e vistorias detalhadas para recalibrar as necessidades do empresariado brasileiro.
“Nosso papel estratégico nas filiais é promover essa conscientização através de análises rigorosas da característica da atividade de cada empresa, mapeando seus riscos e as conexões que possam afetar seu ecossistema”, conclui Luciano Lima. “Oferecemos suporte para qualquer tipo de necessidade através de apólices desenhadas sob medida para segmentos e perfis regionais, minimizando perdas e garantindo a continuidade dos negócios diante desta nova realidade climática e geográfica.”
Sobre a Alper Seguros:
Fundada em 2010, a Alper Consultoria e Corretora de Seguros S.A. é referência nacional em gestão de seguros corporativos, benefícios, transportes, linhas financeiras, agro e demais segmentos. Com mais de 1.200 colaboradores e 28 escritórios em todo o país, a empresa se destaca pela inovação, tecnologia e compromisso com soluções eficientes e transparentes.



Publicar comentário