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Ranking de homicídios espelha desigualdade social e revela o mapa do crime no Brasil

cidades mais perigosas do Brasil

Ranking de homicídios espelha desigualdade social e revela o mapa do crime no Brasil

Julho, 2026 – A última edição do Atlas da Violência 2026, produzida pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), traz o ranking das cidades com maiores taxas de homicídios e detalha como a desigualdade social também espelha a criminalidade no país.

O primeiro colocado deste triste “campeonato” é o município de Barcelos, que fica no Amazonas, com uma taxa de 171,8 homicídios por 100 mil habitantes, seguido por Cruz do Espírito Santo, da Paraíba, com um índice de 169,3 crimes desta categoria na proporção pela mesma quantidade de pessoas. Groaíras, no Ceará, fecha esse pódio da violência, com 159,1 homicídios por 100 mil moradores.

Entre os 20 primeiros deste ranking, somente cinco cidades não são do Norte ou do Nordeste do Brasil. E das 100 listadas, apenas 22 estão localizadas em outras regiões do país, sendo uma delas do Sudeste, três do Sul e 19 do Centro-Oeste.

Análise do Atlas da Violência e Segurança Pública

Este cenário desenhado pelo Atlas da Violência com base nestes dados deixa claro que a migração de facções para os estados mais ao norte, somada à má distribuição de renda brasileira e à falta de políticas estruturais, fazem com que a violência prospere nos rincões do território nacional.

Análise da desigualdade e criminalidade no Brasil.
Análise da desigualdade e criminalidade no Brasil.

A criminalidade encontra os vácuos e não respeita limite de estados ou fronteiras entre países. Os criminosos migram para onde há oportunidades de lucro e vão dominando os espaços como uma doença sem remédio.

O retrato dos estudos também mostra a necessidade de uma inteligência de segurança nacional, que enxergue essas informações e planeje ações estratégicas de acordo com o tamanho do problema. Sem organização, verbas, contingente policial e armamento de forma igual para todo o Brasil não adiantarão. Cada cidade vive uma guerra diferente e precisa de munições diferentes.

Além disso, é necessário olhar além da violência para entender as necessidades locais. Políticas públicas voltadas para melhores condições de moradia, saúde, saneamento básico e educação também têm de ser financiadas de forma personalizada para mudar as condições de vida das pessoas nas cidades onde hoje o crime entra e se expande ao se aproveitar das vulnerabilidades locais.

Para isso, é importante um esforço conjunto do executivo, do legislativo e da sociedade para discutir esse planejamento. Instituições colaboram com os estudos de dados, o governo com a estrutura e a população com a cobrança, sendo que todos precisam estar unidos em prol de um futuro menos sangrento.

As eleições que se aproximam são uma possibilidade enorme para começarmos essa caminhada. Buscar candidatos, principalmente senadores e deputados, que entendam a segurança local de seus estados e que possam auxiliar em um mapeamento das prioridades, é uma solução que está ao alcance de todos nós. Temos a chance de encontrar um caminho que mude o quadro deste ranking de violência tão doloroso. Basta digitar com consciência na urna.

Para acompanhar mais análises e coberturas de segurança, acesse a seção de Notícias da Folha da Segurança.

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, é especialista em segurança e diretor da CAME do Brasil. Possui mestrado em administração de empresas, MBA em finanças e diversas pós-graduações nas áreas de marketing e negócios.

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