Primeiros projetos de vertiportos aceleram debate sobre mobilidade aérea urbana no Brasil
São Paulo, 18 de junho de 2026 – Infraestrutura para eVTOL no Brasil: Novos Projetos em Debate. A chegada dos eVTOLs, aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical apontadas como uma das principais apostas para o futuro da mobilidade urbana, já deixou de ser uma projeção distante. Com os primeiros projetos de vertiportos anunciados no Brasil, especialistas reunidos no painel “Mobilidade 6 — O eVTOL chegou” discutiram os desafios para transformar a inovação tecnológica em uma solução efetiva para as cidades no segundo e último dia do Smart City Business Brazil Congress 2026.
Na abertura do debate, Renata Cavion, coordenadora da Graduação em Engenharia de Transporte e Logística da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), destacou que a introdução de novas tecnologias de transporte sempre provocou transformações profundas nas cidades. Segundo ela, assim como ocorreu com os trens e posteriormente com os automóveis, os eVTOLs devem trazer benefícios e desafios que precisarão ser administrados desde o início da operação.
“É um problema multicritério. Não envolve apenas espaço físico, demanda ou capacidade. Existe uma combinação de variáveis que precisa ser equilibrada para que a solução funcione de forma adequada”, explicou.
“É um problema multicritério. Não envolve apenas espaço físico, demanda ou capacidade. Existe uma combinação de variáveis que precisa ser equilibrada para que a solução funcione de forma adequada”, explicou.
Entre os desafios apresentados por Renata estão a localização, a integração com outros modais de transporte, os impactos sobre o entorno urbano, a segurança operacional e a aceitação pública da tecnologia. “A pessoa que utiliza o vertiporto não tem ali seu destino final. Ela precisará se deslocar dentro de um raio de abrangência. Por isso, a comunicação intermodal é fundamental. Quanto maior essa integração, maior será a redução do tempo de viagem”, disse.
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A especialista também alertou para os impactos no entorno das futuras operações e para a necessidade de incorporar novos conceitos de segurança. “Os estudos mostram uma aeronave mais silenciosa e compatível com a cidade, mas conforme a frequência das operações aumentar, os impactos também crescerão. Essa operação deve ser feita com cautela”, afirmou.
Representando a iniciativa privada, Rogério Prado, CEO da PAX Aeroportos, destacou que São Paulo possui condições únicas para liderar a mobilidade aérea avançada por concentrar uma das maiores operações de helicópteros do mundo. “Precisamos de regras e de fazê-las funcionar, além de pensar na integração da malha de transportes. Temos uma regulamentação interessante e já existe demanda para esse mercado”, afirmou.

Prado também apresentou exemplos internacionais e destacou que cidades como Dubai e Cingapura avançaram por combinar rapidez regulatória, previsibilidade técnica e coordenação entre poder público e iniciativa privada.
Sob a perspectiva urbanística, Luiz Cortez, gerente de Planejamento e Meio Ambiente da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô), afirmou que os vertiportos poderão reduzir significativamente o tempo de deslocamento em determinadas viagens, embora não devam se tornar um modal de massa em um primeiro momento. “Os vertiportos possuem uma relação muito forte com a regulamentação urbana e é importante que avancemos nessa discussão”, disse. Segundo ele, os impactos da nova infraestrutura podem alcançar também o mercado imobiliário e a arrecadação municipal, exigindo planejamento para evitar problemas futuros.
Já Edson Guedes, secretário de Mobilidade Urbana de Jacareí (SP), defendeu que o setor público atue de forma preventiva para evitar que a nova tecnologia reproduza problemas observados em outras transformações da mobilidade. “Estamos vivenciando uma situação ligada ao desconhecido e precisamos estar mais conectados à população”, afirmou. Guedes destacou ainda que os impactos da mobilidade aérea urbana já começam a ser percebidos com o aumento das operações de drones e que a tendência é que parte do mercado de helicópteros migre para os eVTOLs. “Precisamos nos preparar desde já”, concluiu.
Mais informações: www.iegbrasil.com.br | www.iegexpo.it



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