Top 10 Polícias Mais Letais do Brasil por Cidade: Ranking do Anuário de Segurança Pública
17/05/2025Polícias Mais Letais do Brasil por Cidade. A letalidade policial no Brasil continua entre as mais altas do mundo, revelando um uso excessivo e recorrente da força por parte do Estado. Mas afinal, de quem é a responsabilidade? Da polícia que atira ou do Estado que se ausenta?
O 18º Anuário Brasileiro de Segurança Pública (2024), divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, traz dados alarmantes: em algumas cidades, mais da metade das mortes violentas intencionais são causadas por intervenções policiais.
Neste artigo, você vai descobrir quais são as 10 cidades brasileiras onde a polícia mais mata e entender os fatores estruturais que explicam esse cenário. Um retrato incômodo — mas necessário — da segurança pública no país.
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Polícias mais letais do Brasil por cidade: Uma Análise Crítica
Os dados a seguir se referem à proporção de mortes violentas intencionais provocadas por ações policiais em municípios com mais de 100 mil habitantes.
| Ranking | Município | UF | Proporção de Mortes pela Polícia (%) |
| 1 | Angra dos Reis | RJ | 63,4 |
| 2 | Itabaiana | SE | 63,0 |
| 3 | Jequié | BA | 55,2 |
| 4 | Lagarto | SE | 54,3 |
| 5 | Eunápolis | BA | 41,3 |
| 6 | Macapá | AP | 40,8 |
| 7 | Luís Eduardo Magalhães | BA | 39,2 |
| 8 | Simões Filho | BA | 31,0 |
| 9 | Salvador | BA | 30,6 |
| 10 | Santana | AP | 27,0 |
Fonte: Análise dos microdados de registros policiais das Secretarias Estaduais de Segurança Pública. Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 2024.
Destaque: Letalidade elevada em estados menores
Um ponto que chama a atenção é a presença de duas cidades sergipanas — Itabaiana e Lagarto — entre as quatro primeiras posições do ranking. Isso é particularmente expressivo considerando que Sergipe é o menor estado do país em extensão territorial. O dado sugere que a alta letalidade policial não é exclusividade das grande cidades, mas também se manifesta em municípios menores, muitas vezes marcados por forte desigualdade e limitada presença de outras políticas públicas além da força policial.

Quem São as Vítimas da Letalidade Policial no Brasil?
Perfil demográfico dos mortos em ações policiais
De acordo com o Anuário 2024, o perfil das vítimas da letalidade policial revela padrões marcantes e preocupantes:
H3: Por sexo
- 99,3% das vítimas são homens.
H3: Por idade
- Jovens entre 18 e 29 anos representam 65% das vítimas.
- Especificamente:
- 18 a 24 anos: 41,5% (com a maior taxa: 9,8 por 100 mil)
- 25 a 29 anos: 23,5%
- 30 a 34 anos: 14,0% (taxa: 4,0 por 100 mil)
- 18 a 24 anos: 41,5% (com a maior taxa: 9,8 por 100 mil)
H3: Por raça/cor
- 82,7% das vítimas são negras
- A taxa de mortalidade de negros é 3,8 vezes maior que a de brancos:
- Brancos: 0,9 por 100 mil
- Negros: 3,5 por 100 mil
- Brancos: 0,9 por 100 mil
Onde Ocorrem as Mortes?
A maior parte das mortes causadas por policiais acontece em:
- Via pública: principal local das ocorrências.
- Residências: 19,5% dos registros — sem clareza se é a casa da vítima ou outro local.
Reflexão: Letalidade Policial — Resposta à Violência ou Sintoma do Abandono do Estado?
Um dos dados mais alarmantes do Anuário é que, em diversas cidades brasileiras, as Mortes Decorrentes de Intervenção Policial (MDIPs) chegam a representar mais da metade das Mortes Violentas Intencionais (MVIs). Essa realidade confronta diretamente o discurso de que a polícia “apenas reage” à criminalidade. Quando o Estado mata mais do que protege, a segurança pública deixa de ser garantia de proteção e passa a ser fonte de medo, sobretudo para jovens negros das periferias.
Mas por que a letalidade policial atinge esses patamares?
A resposta não está apenas na atuação das forças de segurança, mas no vazio deixado por outras políticas públicas. Em muitos territórios marcados pela pobreza e exclusão, a polícia é o único braço do Estado presente — e frequentemente chega apenas para reprimir, quando o problema já explodiu. Onde deveriam atuar políticas sociais, educação de qualidade, saúde, oportunidades e um sistema de justiça acessível, há apenas a força.
Essa realidade revela uma falha estrutural do Estado, que se ausenta da prevenção e da promoção de cidadania e comparece, tardiamente, com fuzis. A letalidade policial, nesse sentido, não é apenas uma reação, mas sintoma da negligência institucional crônica com as populações mais vulneráveis. O enfrentamento da violência não pode continuar sendo feito à custa de mais violência.
A segurança pública no Brasil precisa deixar de ser pauta de ocasião para se tornar uma prioridade de Estado, acima de interesses partidários e mandatos de governo. É urgente adotar uma abordagem pragmática, técnica e comprometida com resultados duradouros, sem viés ideológico.
Reformar o modelo atual exige enfrentar múltiplos desafios:
- Investir de forma consistente em educação, saúde, saneamento básico, geração de emprego e oportunidades — pilares fundamentais para reduzir a vulnerabilidade social.
- Aprimorar o sistema de justiça com leis mais eficazes, justas e proporcionalmente duras contra crimes violentos.
- Avaliar com responsabilidade o custo real de manter criminosos soltos versus o custo de mantê-los presos.
- Aprimorar o treinamento policial, valorizar a carreira e ampliar o uso de inteligência e tecnologia.
- Integrar a pauta da segurança ao currículo escolar, promovendo uma cultura de paz e cidadania desde cedo.
Acima de tudo, é preciso entender que a letalidade policial não é culpa exclusiva da polícia, mas resultado direto da ausência histórica do Estado nas áreas mais vulneráveis. O policial, muitas vezes, é o único representante do poder público nesses territórios — e chega tarde e sob pressão.





